Campo Grande, setembro de 2026
Queridos amigos, irmãos, colaboradores, voluntários, assistidos e usuários, membros benfeitores, vocacionados, comprometidos e consagrados da Comunidade
João 1.1 “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.”
Celebramos a Bíblia, no mês de setembro, a Palavra de Deus. Muito importante, porque veio mostrar Jesus ao mundo. Mas Jesus é que é a Palavra Viva de Deus que veio ao mundo revelar a vontade e o rosto do Pai, saiu do Pai, porque desde sempre estava com Deus, Jesus é Deus. Jesus é a Palavra viva, a Bíblia é a Palavra escrita. Ambos são importantes, mas adoração devemos a Jesus, que é Deus. Eu me lembro dos ensinamentos do Padre Mário Panziera, neste mês, sobre aqueles que dizem não acreditar na igreja, só no que está na Bíblia e ele nos dizia: “Como isto, se a Igreja antecede a Bíblia”? Foi a igreja que viveu estes ensinamentos, chamamos isto de Tradição da Igreja, antes de os escrever para que chegassem até nós ainda hoje; e escreveram orientados pelo Magistério da Igreja! ATradição, a Escritura e o Magistério estão de tal forma unidos que nenhum deles subsiste sem os outros.
Igreja resume essa relação, na Constituição Dogmática Dei Verbum do Concílio Vaticano II, para quem quiser ler e aprofundar-se no assunto.
Através da Bíblia, conhecemos toda a história da salvação, aprofundamos a nossa fé, aprendemos regras de conduta, a Bíblia nos revela um Deus que corrige, mas que perdoa, que quem erra pode sempre recomeçar, mas que precisamos viver bem, amar o próximo, perdoar quem nos feriu e buscar o perdão daqueles a quem machucamos, que sejamos caridosos com os necessitados, honestos nos nossos trabalhos, que façamos aos outros exatamente aquilo que queremos que façam conosco ou com nossos amados! Os livros sapienciais da Bíblia nos ensinam o controle da língua, da raiva, o bom uso do dinheiro, como controlar a ira, a ansiedade e também a importância do silêncio e da oração pessoal, comunitária, ensinando-nos a orarmos sem cessar, estarmos sempre na presença do Senhor, não só quando precisamos de algum favor dele.
A Bíblia não esconde os erros de ninguém, nem as limitações de seus “santos” e heróis, porque antes de serem santos foram humanos que confiaram na misericórdia e no perdão de Deus. Basta conhecermos a história de Davi, de Pedro, de Paulo e outros personagens bíblicos importantes no plano da salvação, para entendermos que o importante é recomeçarmos sempre, não ficarmos caídos, e, como Pedro, nas tempestades da vida, olharmos para Jesus e clamarmos confiantes: “Mestre, salva-me”! Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele é o Salvador!
Sabedores disto tudo, poderemos entender e aceitar que, nas celebrações, nas missas, não se faz a Entrada da Bíblia, que é um livro precioso, mas não deixa de ser um objeto. Somente o Evangeliário, com os quatro evangelhos, podem fazer parte da entrada na missa, levados pelo diácono ou algum leitor. Essas leituras vão nos preparar para o grande momento de adoração, quando Jesus virá a nós, na Consagração Eucarística. A Ele, aí, toda honra, toda glória, toda adoração. Estas orientações não surgiram de repente, não são fruto da ideia de uma só pessoa, mas estão na Instrução Geral do Missal Romano, no Catecismo da Igreja Católica. E foi no Concílio Vaticano II que saiu um documento em 1963, mandando valorizar mais a bíblia na Missa, que antes não era nem lida individualmente pelo fiéis, mas isso não significa que deva se tornar objeto de adoração, nem se recomendam aquelas entradas festivas com danças e encenações que já presenciamos, mas que não pertencem à tradição católica.
Isso durante a missa, mas nas nossas casas, podemos e devemos ter a Palavra de Deus em destaque, num lugar visível e de fácil acesso a todos, para que seja lida e ensinada na família, para os jovens, para as crianças, para todos, e que os ensinamentos de Jesus possam ser conhecidos e vividos por todos!
Você tem um altar com a Bíblia na sua casa? Se não o tem, providencie, e o seu lar será muito abençoado por isso, porque é como cantamos, a Palavra de Deus é “lâmpada para os nossos passos, é luz para o nosso caminho”!
Que vivamos a Palavra do Senhor, em nosso dia a dia, sendo fiéis à nossa vocação, nosso chamado. Deus abençoe você, sua casa e sua família.
Com amor, Tia Antonia